Baba yaga e Vassalisa - II Parte


De repente...


Ela ouviu um barulho familiar se aproximando. Eram passos de cavalo logo atrás dela. Quando se virou para olhar, eis que bem perto de Vassalisa, já aparecia um cavaleiro branco, montado num magnífico cavalo branco. Trazendo o raiar do dia a cada passo que dava, ele ia iluminando cada gota de orvalho, cada folhinha de cada árvore. Ia despertando cada passarinho, que logo começava a cantar. Os morcegos e corujas voltavam para suas casas, sabendo que já era hora de descançar. O cavaleiro passou por ela, bem diante daqueles olhinhos que brilhavam, e depois foi sumindo no meio da floresta. Maravilhada com a visão só conseguiu continuar seu caminho momentos depois do que havia presenciado. Continuou andando e ouvindo as indicações da bonequinha para chegar até a casa da Baba yaga.

Passaram-se horas e a fome já começava a incomodar sua barriga, a luz estava ficando mais e mais forte a cada hora que passava e, quando a luz estava em seu auge, tirou um pedacinho de pão que carregava e dividiu com sua bonequinha. No meio da refeição ela ouviu um cavalo se aproximando, ficou logo de pé par ver o cavaleiro branco, mas qual não foi sua surpresa quando em vez disso ela viu cavalgando rápido e lindamente, um caveleiro vermelho, montado num cavalo vermelho trazendo o entardecer.

Vassalisa nem piscava seus olhos diante de tamanho espetáculo. A luz, que ia cobrindo tudo, era de um tom avermelhado tão lindo. E, assim como o primeiro, ele foi espalhando aquela luz por todos os lugares. A brisa do entardecer tocou o rosto da menina, os animais pararam por um instante sentindo-a, e depois seguiram seus ritmos vendo a luz do sol ficando cada vez mais fraca. O calor do meio dia ia ficando mais brando, menos ardido para floresta. A menina se sentindo mais disposta então, continuou a caminhar.

Enfim, já exausta, avistou um cavaleiro vestido de negro, com seu rosto tão branco quanto a lua. montando em um lindo cavalo negro ele trazia as estrelas em sua capa que cobria tudo de uma escuridão profunda. Assim as criaturas noturnas da floresta foram despertando. A Coruja com seu canto passou voando sobre sua cabeça, os grilos e cigarras acompanharam a melodia. A sinfônia da noite ia se formando a medida que o cavaleiro se distanciava e se tornou completa quando entrou numa cabana esquisita- Havia uma cerca feita de caveiras e a casa se firmava sobre enormes pés de galinha, amarelos e escamosos, que andavam sozinhos. As cavilhas das portas e janelas eram feitas de dedos, mãos e pés humanos, e a tranca era um focinho com dentes pontiagudos- Então noite reinou na Floresta.

Vassalisa achou que não poderia ficar com mais medo, foi quando viu a própria Baba Yaga descendo do céu, provando o contrário.
Antes que Vassalisa pudesse dar um passo sequer, a mulher desceu do céu aos gritos:

- O que você quer?

Vassalisa estava tão aterrorizada que se sentiu desmaiar. Tudo em volta era sinistro e Baba Yaga tinha um ar ameaçador. Mas resolveu encher-se de um pouquinho de coragem. Já que estava ali, ia tentar a sorte e pedir ajuda àquela assustadora senhora. Assim, aproximou-se da velha e disse:

- Olá, avozinha! As minhas irmãs mandaram-me vir ter contigo, para te pedir um pouquinho de fogo.

A velha retrucou:

- E por eu te daria o fogo menina?

Vassalisa pensou por alguns segundos...

- Por que estou pedindo vovózinha.

A velha fez uma cara de surpresa diante da resposta simples, mas sincera e disse:

- Eu sei quem tu e as tuas irmãs são. Só te darei o Fogo se fizeres certas tarefas para mim. Se não as fizeres, mato-te. Ficaste impressionada com a minha paliçada, não foi?


A bruxa deu jantar a Vassalisa, indicando-lhe também uma cama para ela dormir.
Como partiria cedo no dia seguinte, disse-lhe que, no dia seguinte, queria que ela varresse o chão da casa, preparasse o jantar e tirasse grãos negros e ervilhas selvagens de uma masseira de trigo, que teria de ser lavado. Vassalisa, antes de ir para a cama, deu comida à sua pequena boneca e confessou-lhe nunca conseguiria acabar as tarefas a tempo. A boneca tranquilizou-a, dizendo-lhe para não se preocupar com nada.

No dia seguinte, Vassalisa cozinhou e varreu a casa, enquanto a boneca tratou do trigo. Quando Baba Yaga chegou a casa, ao cair da noite, vasculhou toda a casa e inspeccionou o trigo. Porém, não lhe disse nada.

Antes do jantar, três pares de mãos sem corpo carregaram um saco pesado de trigo e puseram-no aos pés da velha. Esta disse que Vassalisa deveria tirar todas as sementes de papoila e terra que nele encontrasse.
Mais uma vez Vassalisa desabafou com a sua amiguinha, que lhe disse para não se preocupar. Quando a velha saiu, no dia seguinte, a boneca limpou o trigo rapidamente, dando tempo a Vasilissa para preparar um delicioso jantar para Yaga. Ela só chegou quando a noite já era cerrada, com um ar carracundo que se suavizou ao ver a rapariga amedrontada com jantar à sua espera. Os três pares de mãos surgiram do nada e levaram a papoila para a prensa.

Isso intrigava muito Vassalisa.

"Como ela consegue fazer isso tudo?" Pensava.
Até que sua curiosidade foi maior e ela disse:

- Posso perguntar-lhe uma coisa vovó?
- Pergunte, mas lembre-se, nem toda pergunta é boa. Conhecimento demais envelhece.
- Quem são os cavaleiros de branco, vermelho e preto?
- AH! São Meu dia Radiante, Meu sol da tarde e Minha noite fria e misteriosa.
- Hum... entendi....

Mas Baba Yaga também era muito curiosa e queria saber como Vassalisa havia conseguido fazer todas aquelas tarefas em tempo. E essa foi a resposta que ouviu da bela mocinha:

_Foi a benção da minha falecida mãezinha.

_ Benção?! - gritou a velha - Benção?! Não precisamos de nenhuma benção por aqui. Fora! Vamos! Vá embora! Saía logo daqui!

Dizia rispidamente enquanto empurrava Vassalisa para fora, colocando em suas mãos um enorme osso com uma caveira no topo.

- Este é seu fogo. Suma logo daqui.


Vassalisa vendo que a caveira tinha fogo saindo pelos olhos, ouvidos, nariz e boca, agradeceu-lhe muito e partiu naquela mesma noite. Quando já estava quase chegando em casa, a jovem sentiu um verdadeiro pavor daquele objeto. Sua vontade ela abandoná-lo lá mesmo, mas a caveira insistiu para que a levasse até à família, pois tudo ficaria bem. Chegando em casa deparou-se com as meias-irmãs e a madrasta surpreendidas com a sua chegada. Ao que parece, tinham-na dado como morta.
Vassalisa, querendo ser bondosa para elas, deixou-lhes a caveira luminosa, para que pudessem dormir com luz.
A caveira passou a noite observando a madrasta e sua filhas, queimando as maldades delas por dentro.
Na manhã seguinte, quando Vassalisa acordou encontrou a madrasta e suas irmãs reduzidas a cinzas.

3 comentários:

  1. nhéh... tu contando fica bem melhor.

    xD

    I.L.D. mein vergift.

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  2. Hoho....Me lembrei da Cinderella coitada... Muito bom o final! É isso aí... a maldade era tanta que tinha tomado o corpo todo já.. Complicado. X-x
    Bela história!

    Beijinhos!

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